Cavalga-Mistéria

 

Me perguntava perante o fogo do tempo. Na relva outra de outrora. Onde meus amigos também se reuniam - ao derredor do sentido - no beiral do além-mato. Antes mesmo de partir para a jornada no galope do alazão de crinas de sonho. Que na quietude fogareira do prado encantado me cantou a ordem do mundo e me revelou a máquina mistéria que mói a vida comum. Lá Ele me disse: - Pois apenas os homens vivos - e engenheiros de preferência - podem operar o moinho da matéria, a bolsa de valores físicos e meta físicos, na roda viva dos sonhos capitais. Isto que prende o homem a todas ordens de sentidos deste sonho mal dormido. Que vinga a falta do pão. E lá de longe um brado uníssono acordava a consciência da luta: Já pão! Já pão! Já pão! As lacrimogêniadas crianças venezuélicas bradam num canto de insulto que expurga um governante mau da cadeira mais alta da esplanada. Espinhos de vitória afundam na pele dos cidadãos que dançam em revoadas pelas Cumbucas do Planalto. No epicentro do dejavu as torres gêmeas desmaiam como manchas entre os mistérios dos ministérios enquanto o caldeirão de Brasília ferve lama. Consumindo demônios menores na dança trágica de seus ingredientes. O detergente do mundo lava as calçadas da preguiça secular e a aragem dos agronegócios festejam de mãos dadas com o mistério amazônico. Judeus jantam enquanto juram de pés juntos que esta é a terra-prometida. Pois é Brasil, agora não tem mais saída. Vive teu destino! Festeja tua fortuna. Coloca teu bloco na rua. Entre os bancos, e as igrejas do pátio mil Pagus inquebrantáveis desfilam como deusas vedetes abraçadas pelo desfiladeiros de prédios apinhados. O mundo gira, se segura no cabelos dos sentidos e Roma desmorona secretamente na vacuidade da via láctea.  Um teor suave acomete o peito de milhares de eleitores e como um doce sol escala o cimo do entresenho de Gaia. Na entrelinha das estrelas habita um terceiro olho e no solo sobe ao poder um gênio frágil que governará a ordem do mundo por mil anos e dois cavalos. A paz mística decora a sala de 13 milhões de vidas e os planos de saúde caem em concordata enquanto o vida eterna levanta-se de seu berço. Em todos os equitares da Nova Pangea ouve-se o sobrenome do mistério. Silenciosamente o Sol toca os pés da terra - como um discípulo toca os pés de seu mestre. A mulher eclode em um orgasmo de carinho de mil séculos e o homem redime a foice de seus pecados que se convertem em gaivotas livres na beira da praia celesta de tamanho inominável. Eis o tempo dos estóicos, redimido nas danças de um platelminto, remediado nos orvalhos do bambu, renascido na cauda de um pavão e nos chifres de um alce. Quem diria! O destino da terra não estava então nas garras de uma águia, mas sim nos joelhos de um flamingo.

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